
Vocês já viram um sistema de segurança onde se colocam todos os cadeados no terraço de uma casa?
Pois é! Essa foi a interessante inovação do Dinizismo para o jogo desse domingo.
Tá certo que, no último terço do tempo de jogo, com as câimbras consequentes dessa estratégia, o Vasco teve que armar seu bunker no térreo mesmo, com os zagueiros parando de saltar nos nossos meias, e com os laterais evitando de cumprir duplas funções defensivas e, surpreendentemente, ainda assim, conseguiu apresentar nota artística superior à cavalaria titular do Flamengo, que vinham de apenas 48 horas de recuperação após a batalha contra o árbitro colombiano e seus comparsas.
É inacreditável a falta de capacidade de relativização em tudo que envolve o tsunami Flamengo.
O rubro-negro foi muito bem escalado para jogar contra o Vasco nesse domingo.
Principalmente considerando que jogamos contra o Estudiantes, na quinta, e vamos levar o Plata para La Plata numa semana em que teremos árduas batalhas na Argentina e no Itaquerão, sem direito à retorno ao Rio de Janeiro.
Essa temporada vem demonstrando trabalhos de técnicos que estão muito acima da média daquilo que nos acostumamos a observar.
Abel Ferreira, no Palmeiras, Leonardo Jardim, no Cruzeiro e Rafael Guanaes, no Mirassol, estão até conseguindo colher um olhar diferenciado de alguns rubro-negros.
Falando sobre Flamengo x Vasco, quero agradecer a torcida vascaína por ter estendido, antes da partida, uma faixa homenageando o 7 x 0. Afinal de contas, nos últimos 10 ex-clássicos dos milhões (agora a torcida do Vasco não vai mais), vemos 7 vitórias do Flamengo contra nenhuma do Vasco.
Ontem, no ex-clássico contra o Vasco, a partida representou bem a diferença existente entre se preparar numa semana cheia... contra uma equipe que atuou num mata-mata da Libertadores menos de 72 horas antes.
O jogo de ida do Flamengo contra o Estudiantes terminou por volta da meia-noite da quinta-feira. O Filipe sempre ensinou que são necessários 4 dias de trabalho para determinados atletas atingirem o frescor necessário para voltar aos gramados. E, para piorar, o jogo desse domingo, foi disputado numa tarde de sol de mais de 35 graus centígrados.
Para piorar ainda mais, o Flamengo, historicamente, cai de produção em jogos que antecedem grandes decisões na Libertadores.
Só sei que o Filipismo teve dificuldades para encantar contra um sistema defensivo diferente. A kryptonita do Diniz funcionou.
Sempre será normal enfrentar linhas baixas, compactas, quase que construindo um muro perto da sua própria meta.
Ontem, o Diniz subiu essas linhas.
Não confundam com pressão de linhas altas. A intenção do Vasco não foi a de roubar bolas. Eles só queriam congestionar a região do campo onde o Flamengo gosta de ficar trocando passes.
Nós assistimos, comumente, na tela da TV, 5 ou 6 defensores vascaínos em cada jogada, em qualquer momento de posse de bola do Flamengo. A defesa compacta acompanhava a linha da bola.
É claro que, jogando dessa maneira, o Vasco deveria ter aberto o bico no último terço do tempo de jogo. Principalmente quando o Filipe colocou, acertadamente, Arrascaeta, Pedro, Lino, Viña e Luiz Araújo no gramado.
O problema maior é que a supermotivação vascaína, somada à baixa nota artística rubro-negra, equilibrou o que não deveria ser equilibrado.
Quem me segue há muito tempo vai lembrar que sempre enalteci o caráter e a personalidade do cria Hugo Moura. Sempre afirmei que ele vinha de uma família exemplar. Ontem, sua determinação foi tão marcante que nossos meias não encontraram espaços para brilhar.
Teve hater confundindo lançamentos em profundidade com chutões. O jogo pedia ligações diretas entre a defesa e o ataque. A questão é que erramos a maioria desses passes longos... e não tínhamos duas fumaças que fossem mais rápidas do que os lentos defensores vascaínos.
Afinal de contas, para que serve o Wallace Yan? Ainda dói quando lembro que ele foi protagonista na única eliminação dessa temporada. Penso que jamais perdoarei essa insanidade.
Passando a comentar sobre atuações pífias individuais de quem não estava recuperado para esse confronto, confesso que não gostei do Carrascal. Principalmente porque a expectativa é de que ele substitua o mago Arrascaeta, sempre que necessário. Vi um atleta ainda fora de forma, que chegou atrasado na maioria dos lances, que não acompanhou algumas jogadas e que, fundamentalmente, perdeu a maioria das bolas divididas. É claro que reconheço que ele tentou jogar, o máximo de tempo, dentro da área adversária, e isso proporcionou seu primeiro gol com o manto rubro-negro.
O Ayrton Lucas é outro que passa a impressão de que perdeu o brilho, mas temos que reconhecer que o Viña também entrou errando tudo que tentou. O Ayrton, inclusive, andou cedendo escanteios desnecessários para o adversário.
O Royalindo foi outro que não conseguiu superar um bloqueio que dava botes antecipados gerando uma marcação quase individual.
Outro craque de quem faço parte do fã-clube, mas que jogou atrapalhado demais, ontem, foi o Danilo. A tv, inclusive, sempre mostrava ele balançando a cabeça negativamente.
Sei lá, andaram culpando o goleiraço Rossi que, mais uma vez, ficou em dúvida em uma saída de gol. Só que tenho convicção de que se o Léo Pereira estivesse em campo, protegendo a região esquerda da área, o Rayan não precisaria estar sendo marcado por Saúl e Carrascal, e não conseguiria tanta liberdade para cabecear com precisão. Só sei que a cabeçada do jovem prospect vascaíno foi tão feliz que conseguiu encobrir até o Ayrton Lucas, que ficou na cobertura do nosso goleiro em cima da linha de gol. É importante que se esclareça que, no Filipismo, o goleiro tem que sair do gol nas bolas paradas, e isso foi o fator que gerou dúvidas no Rossi que, nitidamente, percebeu que não era bola para sair. A verdade é que a dúvida é o pior sentimento que pode surgir num goleiro.